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domingo, 4 de dezembro de 2011

Quem sou eu?


Todos os dias descobrimos uma maravilha sobre nós, no entanto, o nosso “eu” é repartido em três partes: Eu, eles e nós. Eu, porque me esforcei para ser o que sou hoje; eles, porque metade de mim pertence-lhes; e nós, porque juntos fomos descobrindo, que parte do que
somos é feita da união.

 O meu nome é Juliana, e sou do signo touro. Nasci em Cascais com raízes africanas: angolana, cabo verdeana, moçambicana e zairense. Olhando para trás, não me recordo de tantas vivências em pequena… talvez me recorde de quando desobedecia aos meus pais, ficar de castigo, levar uns açoites, experimentar um pouco dali e daqui de adrenalina, aquilo… era infância.

Lembro-me de assistir a um programa de televisão, os “Simpsons”. Naquela altura, não percebia porque é que os meus pais se riam como se não houvesse amanhã, mas não importava porque para além de eu não perceber nada de inglês em pequena, gostava de me rir… sentia-me feliz sem perceber a linguagem, sentia-me feliz por estar com a minha família.
Sempre tive quem cuidasse de mim em pequena, os meus pais, e, quando ausentes, uma ama. Lembro-me do meu primeiro dia na escola primária, e das últimas semanas… antes de engolir um lápis de cera. Era amarelo, pequeno e fino… gostava de fazer o jogo faz de conta, decidi transformar um lápis num batom, entretanto, um dos meus colegas decidiram assustar-me, e lá foi o lápis… escorregou macio que nem esparguete pela garganta abaixo.
Era a altura em que tudo me despertava curiosidade, era a altura em que me sujava mas, não havia problema… porque era criança. Ainda nesta fase, lembro-me do meu primeiro beijo, da minha primeira asneira… da primeira letra de música que eu compus. 

Lembro-me de ter gostado de tantos rapazes… tinha feito uma lista de quem tinha gostado na altura… doze rapazes… em três anos! Havia duas hipóteses: ou eu apaixonava-me facilmente, ou nunca tinha gostado realmente de ninguém.
No entanto, com o passar do tempo apareceu o meu príncipe encantado. Aí sim, tinha a certeza de que era ele… o signo dele era Leão. Tinha a certeza que era mesmo o meu príncipe! Porém, acabou tudo tão rápido em tão longo tempo.
Queria crescer tão depressa que às vezes digo: “que saudades disto, daquilo…”.
Quando dei por mim, era adolescente.
Mas, percebi que a adolescência é a mesma maneira de viver a infância, mas de maneira a que a vivamos com mais intensidade e seriedade. Damos o nosso primeiro beijo na adolescência, da primeira asneira, mentira, mas, ainda mais estruturada. Temos consciência das consequências da vida, mas gostamos sempre de atingir o inatingível.

 Ainda fico sem perceber o porquê, mas ao longo do tempo, fui ficando mais reservada, fui utilizando uma faceta que nunca tinha mostrado, eu não fui eu. Sentia e, de vez em quando, ainda sinto, quase tudo aquilo que uma rapariga da minha idade sentiria quando se apercebesse que não se conseguia adaptar num grupo, fosse de ginastas, de futebol, voleibol… eu, tinha o meu grupo, e nesse grupo era só eu e os meus estudos, nesse grupo era só eu e os meus estudos… Sentia-me sozinha, mas era brilhante, e as minhas canetas podiam comprová-lo… notas incomparáveis.
Por criar tantos fios emaranhados na minha cabeça, tornei-me muito vulnerável a muitos aspectos, ao ponto de fazer coisas que apenas pessoas como eu na altura perceberiam. E até hoje, não me identifiquei com ninguém, as situações de todos são sempre diferentes, as histórias de todos têm sempre um aspecto diferente.
Agora, actualmente, hoje, olho para trás, leio tudo o que acabei de escrever, e penso:
- Se pudesse voltar atrás, nunca o faria. Se pudesse ser outra pessoa diferente do que sou hoje, jamais conheceria o meu verdadeiro eu. Nunca teria perdido e ganho amigos com um significado em específico, nunca teria conhecido o mundo à minha maneira, a meu ver.
Considero-me forte, vulnerável, orgulhosa, exigente, por vezes preguiçosa, determinada, inteligente, mimada, entre muitos outros adjectivos, e entre muitos outros defeitos, mas a meu ver, torno-me perfeita por ser imperfeita. Torno-me diferente não por querer ser diferente de todos os outros, mas por preocupar-me em ser eu mesma.






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